A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou uma prisão em flagrante na segunda-feira (27) de uma mulher que se passava por médica e realizava procedimentos estéticos e odontológicos ilegalmente em uma clínica localizada na rua Nunes Alves, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Neucileny Melo Barbosa, conhecida como Doutora Eny nas redes sociais e uma das proprietárias do estabelecimento, foi detida durante uma operação da Delegacia Especial de Crimes Contra o Consumidor (Decon).
Segundo a polícia, Neucileny estava praticando a medicina de maneira ilegal, oferecendo serviços como aplicações de botox, preenchimento facial, e pequenas cirurgias de nariz e pálpebras a preços populares. A investigação foi desencadeada após autoridades monitorarem anúncios de serviços estéticos e odontológicos nas redes sociais, especialmente devido aos preços suspeitos oferecidos pela clínica.

Além de Neucileny, seu marido, João dos Santos Cintra, que também era sócio da clínica, foi encontrado exercendo ilegalmente a profissão. Durante a operação, foram encontrados medicamentos vencidos, bem como seringas e outros materiais descartáveis já utilizados. Os policiais apreenderam carimbos, agendas de consultas e cartões de visitas dos envolvidos.
Durante a ação, uma cliente que havia realizado um procedimento de harmonização facial recentemente na clínica chegou com queixas de dores intensas e inchaço no rosto, necessitando de atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da cidade.
Neucileny e João afirmaram às autoridades que eram formados em medicina na Venezuela, porém não apresentaram documentação que comprovasse a validade de seus diplomas no Brasil. De acordo com a polícia, nenhum dos dois possuía revalidação do diploma no país nem estavam registrados no Conselho Regional de Medicina (CRM).

A investigação revelou também que Neucileny havia se identificado erroneamente como integrante do Corpo de Saúde do Exército Brasileiro, quando na verdade tinha sido militar temporária do Exército no Amazonas como técnica de enfermagem, sendo excluída por deserção em 2022.
Segundo informações da polícia, o casal alugava os consultórios da clínica para profissionais devidamente habilitados, confundindo assim os clientes e tentando transmitir uma falsa aparência de legalidade nas atividades dos falsos profissionais.
Neucileny foi detida em flagrante pelo crime contra as relações de consumo, enquanto João responderá em liberdade após comprometer-se a comparecer em juízo por exercício ilegal de medicina.